ESCOLA DA VIDA

PÁGINAS SUGESTIVAS



ENTRETENIMENTOS E OCUPAÇÕES - 18

  

                         Casal de jabutis                                                Três filhotes de jabutis

“Entretenimento é o conjunto de atividades que o ser humano pratica sem outra utilidade senão o prazer. É o desvio do espírito para coisas diferentes das que preocupam. Pode ser uma distração, um passatempo ou um desporto (Wikipédia, a enciclopédia livre.)

Aposentado do Magistério Estadual, e depois de trabalhar mais três anos em uma escola particular, recorri às ocupações prazerosas para evitar a ociosidade e as preocupações que não nos são aconselháveis.

Os entretenimentos preferidos variam de conformidade com a idade e com as condições de vida. Já joguei bolinha de gude, já brinquei de trenzinho, já fiz teatrinho de fantoches, já colecionei marcas de cigarro, lápis e selos, joguei futebol, frequentei bailinhos nas tulhas, fiz agradáveis passeios e tive muitos namoriscos.

Agora, maduro e mais experiente, estou associando aos prazeres certa dose de responsabilidade, idealismo e objetividade. A isso prefiro chamar “ocupação”.  

Na ocasião já frequentava a “Sociedade Araraquarense de Estudos Espíritas Allan Kardec” e passei a dedicar-me com mais tempo às atividades ali desenvolvidas.

Em casa passei a utilizar meu computador para divulgar a Doutrina Espírita com o encaminhamento de textos por mim elaborados.

Atualmente - 22/01/2011 - disponho das seguintes ocupações diárias: Pela manhã: cafezinho coado na hora; prece matinal; arrumação da cozinha; limpeza do quintal, seleção do lixo para ser recolhido e para ser reciclado; cuidados especiais com as plantinhas e com os animais de estimação; um pouco de Internet, uma cervejinha ou um golinho de vinho;

Após o almoço e uma hora de sono: Internet, leitura, redação de textos para os blogs e divulgação da Doutrina Espírita; à tardinha, compra de pães no Supermercado Jaú,

À noite volto à Internet para concluir as redações e bater papo com os conhecidos, amigos e familiares, reais ou virtuais.


Casal de periquitos australianos e rolinhas soltas

 

Luiz Gonzaga Seraphim Ferreira - 25 de janeiro de 2011



Escrito por luzagas às 16h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




FUNDO DE QUINTAL - 17


Na foto o “fundo de quintal” e a dupla caseira (Guto e Gutinho) que anima as reuniões familiares.

O “fundo de quintal” é o ambiente mais descontraído da casa onde se reúnem familiares e amigos, nos fins de semana e nas festinhas íntimas. Quem me dera tê-los todos aqui nessas ocasiões!

O nosso já fora bem mais concorrido e animado quando então participavam meus pais, meus tios, e vários amigos; hoje ausentes pelas circunstâncias da vida.

No geral as pessoas estão, cada vez mais, se isolando - se não pelo distanciamento físico, ao menos pelo distanciamento em termos de convívio e relacionamento.

Nem mesmo os churrasquinhos, espetinhos, e grelhados deliciosos, e a cervejinha gelada, estão atraindo os afins.

Aqui contamos, infalivelmente, com a companhia agradável do casal de periquitos, de um bando de mais de cinquenta rolinhas que são alimentadas diariamente e, mais ao fundo, com um casal bem comportado de tartarugas.

Creio que uma boa e animada conversa solta, umas boas piadas, e até mesmo um “disque disque” está faltando em todo e qualquer “fundo de quintal”. O que você acha?

Luiz Gonzaga S. Ferreira -Araraquara, 12/09/2010   



Escrito por luzagas às 16h51
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A ESCOLA ERA RISONHA E FRANCA - 16

1955jaborandi              1957jaborandi

Como professor primário, lecionei de 1954 a 1960 em Jaborandi, no Grupo Escolar “Olinto Junqueira de Oliveira” e em Viradouro, no “Grupo Escolar de Viradouro”, em classes de 1º, 2º, 3º e 4º ano.

Minha experiência docente e afetiva foi muito gratificante pelo que aprendi profissionalmente e pelo que senti emocionalmente, através do relacionamento com crianças que amei de coração.

Conversávamos, cantávamos, brincávamos e aprendíamos com a cartilha “Caminho Suave”, os livros de leitura e os cadernos próprios de linguagem, caligrafia, desenho, cartografia e ocupação.

As aulas eram preparadas com muito carinho e entusiasmo, da minha parte, com auxílio de um Programa de Ensino e elaboração de planejamentos diários - nada de apostilas!

Confesso um tanto constrangido que, às vezes, recorri a uns gritos, puxões de orelha e reguadinhas para manter a ordem, a atenção e o capricho dos alunos displicentes. Hoje reconheço que poderia ter evitado tais medidas, embora tivesse feito com boas intenções.

Como diretor do “Grupo do Grupo Escolar da Estação de Andes”, no Distrito de Bebedouro, promovia atividades paralelas de “trabalhos manuais” e “horticultura” na Escola.

195Jaborandi               1961andes

Luiz Gonzaga S. Ferreira - Araraquara, 1º/08/2010



Escrito por luzagas às 20h01
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




REVENDO JABORANDI - 15

Após 55 anos, em 26/12 de 2009, voltei a Jaborandi onde iniciei a carreira do Magistério em 23/09/1954.

clip_image002     clip_image004

Fiquei emocionado diante do Grupo Escolar Estadual “Olynto Junqueira de Oliveira” em que ingressei no Magistério Estadual e assumi uma classe de 1º ano com 36 alunas em fase de alfabetização, o que me proporcionou satisfatória experiência no começo do meu trabalho docente.

Em companhia de meus filhos Ângelo Luiz e Luís Augusto, percorri a pequena e graciosa Cidade onde morei, por três anos, em um hotelzinho muito acolhedor localizado na praça central.

clip_image006

Tivemos oportunidade de fotografar a igreja em que foi realizado o meu casamento com Doraci Maria que residia na fazenda próxima, de propriedade de seus pais.

clip_image008

Guardo de Jaborandi agradáveis lembranças de colegas, de alunos, de amigos, e de fatos que marcaram minha vida.

Valho-me da oportunidade para render gratidão ao então Diretor do Grupo Escolar Prof. José Carlos Teixeira, que muito me incentivou no mister de ensinar e educar, à Da. Cida e Sr. Francisco Torneli pelo acolhimento em seu hotel, e a todos os que lá conheci.

Luiz Gonzaga S. Ferreira - Araraquara, 23/06/2010



Escrito por luzagas às 22h26
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




DE PALETÓ E GRAVATA - 14

Década de 50. Paletó e gravata eram acessórios obrigatórios do traje para os homens, em ambientes sociais como: teatro, escola cinema, templos, igrejas restaurantes...

A foto foi tirada em São Paulo, no prédio em que residiam meus tios Odair e Margarida, José e Zélia (Tia Vicentina), à Rua Sete de Abril no ano de 1952.

Na época eu estava com meus 21 anos; havia concluído o Curso Normal e aguardava o ingresso no Magistério Estadual, no cargo de “professor primário”, o que ocorrera em 24 de setembro de 1954 em Jaborandi, município próximo à cidade de Colina, onde eu residia com meus pais e irmã.

Todos os anos, nas férias escolares, ia a São Paulo e, de lá, viajava com meus tios para outros lugares.

Estivemos em passeio, no Rio de Janeiro, em 1952, e fui “barrado” na entrada de um cinema, na Cinelândia, por estar sem a gravata, embora estivesse de paletó. Tivemos que comprar uma, para poder assistir o filme.

O traje masculino, assim completo, era rigorosamente exigido para certas atividades solenes e profissionais em que se reunissem pessoas qualificadas.

Paletó e gravata denotavam respeito, sobriedade, dignidade e certa elegância.

Atualmente, no século XXI, os que fazem uso mais frequente do traje são os que exercem funções administrativas, executivas, legislativas, judiciais e políticas. Será que o uso do paletó e gravata assegura, ainda, as citadas qualidades de seus usuários?

Luiz Gonzaga S. Ferreira - 26/04/1010.    



Escrito por luzagas às 11h04
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




MINHA VISITA A CAIUBY - 13

 

Depois de 70 anos regressei com meu filho e netos a Caiuby para rever e matar a saudade daquele lugarejo em que vivi, com meus pais e irmã, nos anos de 1936 a 1938.

Caiuby é um Distrito de Santa Bárbara D’Oeste e, naquela época, uma estaçãozinha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Tenho muita saudade e algumas fotos de lá. Em apenas dois anos fizemos amizades inesquecíveis e vivenciamos muitas alegrias: as brincadeiras defronte minha casa e na única rua da pequena vila; da minha primeira escola; das festas da igrejinha; da minha primeira comunhão.

Pela visita constatamos algumas mudanças no local: a estação e a casa em que morávamos foram demolidas; as frondosas paineiras foram cortadas... Permaneceram, porém: o prédio da extinta Escola Mista de Caiuby, o prédio onde era o armazém do seu Angolini e a esquina com a placa da rua com o seu nome.

O tempo desgasta e modifica as coisas materiais, inclusive o nosso corpo físico, mas as nossas lembranças permanecem vivas e impregnadas de sentimentos e emoções. Essas estão gravadas no meu patrimônio espiritual juntamente com pessoas, nomes, fatos e sentimentos. E fazem parte da história da minha vida!

    

Luiz Gonzaga S. Ferreira - 23/01/10



Escrito por luzagas às 15h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




ANO NOVO - VIDA NOVA - 12

É tempo de examinar e reorganizar a nossa vida intima: nossos ideais, nossas ideias, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossos relacionamentos, hábitos e atitudes e, até mesmo, o nosso sentido de vida.

A reforma interior consiste no abandono ou na transformação de velhos costumes e vícios em troca de virtudes e de qualidades evidenciadas pelo conhecimento, compreensão e assimilação.

Dificilmente a reforma íntima se faz de um momento para outro. Depende, porém de um ponto de partida em que se toma consciência de nossos erros e imperfeições; depende também da vontade de saber mais e de experimentar as mudanças, mesmo que incipientes, que venham nos trazer melhor qualidade de vida.

A reparação da nossa conduta, tendo em vista uma boa qualidade de vida, pressupõe algumas atitudes e cuidados, tais como: persistir nos hábitos de higiene e saúde do corpo e da mente; disciplinar o estado emocional; atentar para a qualidade dos relacionamentos; contrabalançar a relação entre a vida pessoal e a vida profissional..

Luiz Gonzaga S.Ferreira - Araraquara, 1º de janeiro de 2.010

 



Escrito por luzagas às 22h18
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




TEMPOS FELIZES - 11

Ano de 1950 - São Paulo (“terra da garoa”) - Rua Sete de Abril, 341.

Na foto, ao lado de um monte de granizo que havia caído no dia anterior: Jozélia Regina, minha prima (agachada e de costas); Arlete Aparecida (minha irmã); Isabel (minha mãe); Dª. Rosa , outra moradora do prédio e Zélia (minha tia Vicentina).

Ali vivemos dias muito felizes: Tio Zelão e tia Vicentina, zeladores do prédio de apartamentos; Tio Odair e tia Margarida, moradores de um apartamento térreo; José Ricardo e Jozélia, meus primos, e outros familiares que ali se reuniam especialmente nos finais de ano.

O relacionamento familiar era muito prazeroso. A comemoração do Natal era simples, porém alegre e feliz. Não faltavam os assados, inclusive os que meu pai enviava através do carro restaurante, e o famoso litro de vinho que tio Odair comprava em uma adega próxima.

Durante o ano aproveitávamos as oportunidades para nos reunir em Campinas, Caiuby, Remanso, Ibitiúva e Bebedouro...

Com o tempo os laços de família e de amizade vão se desfazendo como certamente ocorreu com o monte de granizo e com o prédio da rua Sete de Abril que fora demolido. As fotos, porém, continuam avivando nossas lembranças dos “tempos felizes”.

Luiz Gonzaga S. Ferreira – Araraquara, 14/11/09

 



Escrito por luzagas às 20h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




NO TEMPO DAS AMÁVEIS VISITAS - 10

 

 

Na foto, eu (Titito), Da. Hebe e Seu Oscar, ao lado da “maria fumaça”, a locomotiva a vapor, em Ibitiúva onde morei, com meus pais e minha irmã, nos anos de 1951 a 1954.

O amável casal, primos do tio Odair, alegrava-nos com suas frequentes visitas.

Meus pais, Luiz e Izabel sempre foram excepcionais hospedeiros. Minha mãe superava todas as dificuldades -carência de recursos financeiros e materiais- e, recebia os visitantes com alegria e entusiasmo.

Assim, com o casal e mais os tios Odair e Margarida, todos de São Paulo, passávamos dias bem felizes entretidos com os presentes e as novidades da Capital a qual, para nós, representava toda a modernidade.

Outros familiares visitavam-nos constantemente, principalmente os primos que passavam as férias em minha casa.

O velho costume das visitas entre familiares e amigos propiciava a união e a amizade entre as pessoas ligadas por laços de família e de afeição.

Atualmente sentimos muito a falta dessa atividade e desse entrelaçamento, o que nos mantém isolados.

Tentamos uma aproximação através do telefone e da Internet, pois a fase da correspondência escrita e postada também já passou. Mas nada disso tem encontrado receptividade.

Para mitigar a saudade dos entes queridos que ainda estão na Terra, e dos que já deixaram este mundo material insólito, costumo orar por todos eles  diariamente.

Luiz Gonzaga S. Ferreira - Araraquara, 11/10/09



Escrito por luzagas às 21h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PÁSSAROS CATIVOS – 09

 

O casal de periquitos australianos observa, da gaiola, as rolinhas e os pardais que esvoaçam, pousam e alimentam-se livremente à sua volta.

Que é isso?! Mais uma cena explícita de injustiça social entre as pobres aves?!

Tudo se explica, embora nem tudo se justifique: os pássaros cativos, em questão, nasceram e foram criados em cativeiro; não são aves naturais do Brasil e, por isso, não teriam condição de sobrevivência por si sós.

Para compensar a falta de liberdade para voar são tratados com os mais requintados zelos: alimentação especial e farta (grãos de trigo e alpiste, almeirão, pepino, frutas...); higiene diária; carinho, amor e atenção.

Os passarinhos que festivamente rodeiam a gaiola, todos os dias, não comparecem ali casualmente para visitar os amiguinhos verde e azul ... São atraídos, propositadamente, pelos iguais alimentos ali espalhados com o intuito de proporcionar alegria aos cativos.

Na parte do fundo do quintal mantenho um casal de tartarugas as quais são igualmente tratadas com muito carinho.

Contudo, continuo sentindo muito a falta da minha terna cachorrinha Natasha!

Sou mesmo um apaixonado pelos meus animaizinhos.

Luiz Gonzaga S. Ferreira – Araraquara, 26/09/09

 



Escrito por luzagas às 20h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




A DIPLOMACIA E A VASSOURA - 08

Diplomacia: “... delicadeza, finura, astúcia ou habilidade com que se trata qualquer negócio.” (Dicionário Aurélio)

Ocupando o cargo de supervisor de ensino, na delegacia de Ensino de Araraquara, visitava com frequência as escolas que pertenciam à área de minha responsabilidade e, quando não o fazia, procurava conversar com os diretores das referidas escolas para saber da regularidade do funcionamento das mesmas.  

Certa vez, conversando com um desses diretores, por sinal muito zeloso, bom colega e amigo, sempre bem humorado, mostrando-se entusiasmado e atencioso, contou-me que havia, recentemente, tomado uma providência administrativa de suma importância.

Muito curioso quis saber os detalhes da referida providência, ao que o Prof. Esterlino prontamente atendeu dizendo que determinara formalmente  que, a partir daquela data,  as vassouras deveriam ser guardadas “de cabeça para cima”.

Percebendo, naturalmente, o meu espanto e, diante da indagação sobre o motivo de tal medida, respondeu-me sorrindo que se tratava de uma medida de economia, pois assim as vassouras seriam melhor conservadas. 

Sem mais delongas, embora estranhando a propalada importância de tal providência, aceitei a ideia como válida e até me habituei a  colocar, em casa, as vassouras, com as cerdas para cima.

Só recentemente descobri que há uma versão popular segundo a qual a “simpatia” de colocar a vassoura em tal posição espanta as visitas... !!!

Acabei reconhecendo que o meu colega valera-se da “diplomacia” para, disfarçadamente, recriminar as minhas repetidas visitas à sua Escola. Seria isso mesmo?

 Luiz Gonzaga S. Ferreira - Araraquara, 25/07/09

 



Escrito por luzagas às 20h09
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




AMIZADE ... COISA PARA SE GUARDAR – 07

Esta é uma recordação agradável pinçada da minha história de vida, que é tão comum como tantas outras. A época: 1946 a 1951; O local: Santa Bárbara D’Oeste; Os personagens: casal, Lenides e Miguel Agostinho (nossos amigos); Arletinha (minha irmã); Luiz e Isabel ( meus pais); eu (fotógrafo, por isso não saí na foto).

Amizade espontânea, leal, sincera e descontraída, nos unia e nos proporcionava momentos alegres e felizes, tanto em nossas casas, onde nos reuníamos para “bater papo”, para jogar e para organizar os passeios de final de semana, como nos alegres piqueniques.

O bom humor, as brincadeiras, e a alegria, nunca faltaram entre nós. Cada qual sempre tinha uma surpresa engraçada para animar. A Leonides e minha mãe eram as mais animadas da turma.

Os piqueniques, aos domingos, eram frequentes. Logo pela manhã a Leonides e o Miguel chegavam à minha casa carregando cestas de guloseimas para o almoço em lugares previamente escolhidos. Estávamos esperando com os nossos apetrechos.

Saíamos a pé, cada um carregando o seu farnel; ninguém de mão abanando, como se dizia.

Lembro-me de uma vez que apareci com o braço enfaixado e numa tipóia. Todos lamentaram por eu ter machucado o braço. Em virtude do ocorrido, não poderia carregar o meu fardo que foi distribuído pelos demais... A brincadeira terminou com muita risada quando descobriram a farsa.

O convívio cotidiano deixou de existir quando os meus pais, irmã e eu mudamos em 1951 para Ibitiuva. Mas a amizade com o querido e inesquecível casal não parou por aí. A verdadeira amizade não termina com a separação física. Continuamos nos comunicando através de cartas, telefonemas e visitas.

A amizade, quando estruturada com simpatia, afeto, compreensão e respeito torna-se um bem durável de inestimável valor.

Nossas vidas certamente mudaram muito. E o conceito de amizade mudou também com o tempo.

Atualmente podemos até nos relacionar socialmente com número maior de pessoas, colegas, vizinhos e conhecidos, mas a “amizade” verdadeira está, cada vez mais, perdendo o sentido familiar que a caracterizava nos tempos idos. Que pena!

Luiz Gonzaga S. Ferreira - Araraquara, 12/07/09                



Escrito por luzagas às 15h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 O TRENZINHO DE LATA – 06

Com meus quatorze anos de idade tinha quase tudo para ser um ferroviário como meu pai e meus tios Joaquim, Miguel e José, meus primos Orlando e Oscar, e meu avô José que foi Mestre de Linha em Santa Veridiana e Santa Cruz das Palmeiras.  

Minha mãe, antes de se casar, foi telegrafista da Estrada de Ferro  Companhia Paulista, na Cidade de Campinas, no tempo em que o telégrafo sem fio não existia e o sistema Morse ainda estava sendo introduzido no Brasil.

O trenzinho de lata que se vê na foto era o meu brinquedo predileto. Faltou-me, talvez, a vocação para seguir a mesma carreira que a de meus familiares.

O meu trenzinho de lata por alguns anos representou, em minha vida, um instrumento de felicidade com o qual me ocupava e, assim, deixava de me preocupar com as naturais asperezas e incertezas da vida. Sentia-me muito feliz durante o tempo que sobrava além da escola e das tarefas de casa.

O tempo foi passando e o trenzinho de lata foi sendo substituido, sucessivamente, por outras motivações, tais como: teatrinho de fantoches, coleção de insetos, criação de passarinhos, leituras; atividades sociais, recreativas, escolares e religiosas, etc.

 

Aprendi então com a vida, cujas dificuldades e complexidades se avolumam, num crescente, com o avanço da nossa idade, que essa substituição é necessária cada vez que se perde o interesse ou a possibilidade de utilizar um desses instrumentos motivadores.

O que não se pode é ficar sem o “trenzinho de lata” que simboliza, no meu caso, um motivo prazeroso, um “objetivo” de vida.

Todos nós temos o nosso “trenzinho de lata”, sem o que a nossa vida seria enfadonha, desinteressante e até penosa.

A simples lembrança dos nossos “trenzinhos de lata”, que já foram substituídos e ultrapassados, é importante para reescrever a nossa “história de vida”, como estou fazendo agora, mas quando essa lembrança atinge o nosso estado emocional pode desencadear a saudade, a tristeza, a angústia e a depressão. Daí a necessidade de saber lidar com nossos sentimentos.

Luiz Gonzaga Seraphim Ferreira - 23/06/09

 



Escrito por luzagas às 20h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




AFEIÇÃO SINGULAR - 05

Confesso que até então eu sentia certa aversão por cães, em geral, talvez por temer a agressividade dos mesmos ou pelas inúmeras inconveniências de mantê-los dentro de casa.

 Eis que, num final de semana, meu filho Ângelo Luís chegou de Itu trazendo aquela fofura canina, uma cachorrinha da raça Cocker de cor marron caramelo.

A Natasha, recentemente desmamada, de pelo liso, meio ondulado e macio, e de orerelhas compridas, permaneceu em casa por alguns dias. E foi o tempo suficiente para conquistar, com sua doçura e meiguice o meu coração, bem como o de todos da casa.

Ela fora adquirida em Rio Claro, onde nascera no dia 12/06/1998, conforme consta em seu “Atestado de Vacinação e Controle de Verminose”.

Não conseguimos mais ficar sem a Natasha que passou a conviver conosco tornando-se, ao longo de onze anos, uma companheira inseparável que muito alegrava o nosso viver.

Sempre dócil, depois de estranhar um pouco à primeira vista, logo se familiarizava com todos que se relacionavam conosco, sempre demonstrando, porém, seu carinho especial pelo Ângelo Luís, seu primeiro dono.

Vivia dentro de casa, dormia em um sofá no cômodo contíguo ao meu escritório, onde permanecia ao lado do micro computador até que eu fosse para a cama, geralmente às 23 horas, depois de fazer “xixi” na grama do quintal e ganhar um biscroker.

Geralmente, após o almoço, ela ficava deitada no chão, ao lado da minha cama enquanto eu tirava uma soneca.

Era mimada e acariciada pela faxineira, pela manicure e por todos que freqüentavam nossa casa.

Ficava muito animadinha quando eu a chamava para por a “coleira de passeio”. Nossos passeios pelos quarteirões vizinhos não eram longos, pois ela se cansava logo e queria voltar para casa.

Dos banhos frequentes, na Vet Clin, voltava sempre com lacinhos coloridos nas orelhas.

Foi sempre muito gulosa; alimentava-se de ração misturada a uma pequena porção de carne de vaca ou de frango, mas exigia tudo que nos via comendo, inclusive doces e frutas.

Muito exigente e comodista ficava bravinha chegando até a morder quem a importunasse.

Na última quinzena do mês de abril de 2009 notamos que estava bebendo muita água, urinando bastante e rejeitando alimentos, o que nos levou a procurar assistência do veterinário; providenciamos os exames médicos e a substituição da ração.

No início da primeira semana de maio começou vomitar com certa frequência e ficava prostrada no chão sem se alimentar. Tivemos que recorrer a mais duas clínicas veterinárias; constatou-se que ela estava com dosagem muito elevada de açúcar; começou receber o tratamento específico para diabete, mas depois de forte convulsão morreu na manhã de domingo, dia 03/05/09, cercada do carinho e sob o pranto dos que a vigiavam: Dora, Flavinha, Jô, Guto, Gutinho e eu.

Foi enterrada, com todo nosso carinho e consternação, na “Chácara Ranchinho, onde está localizada a “Sociedade Araraquarense de Estudos Espíritas Allan Kardec”. 

Da ocorrência, aqui registrada, merecem destaque algumas marcas de experiência de vida: 1ª, a Natasha nos ensinou a compreender e a amar os nossos irmãos irracionais; 2ª, a perda de seres queridos causa-nos profunda dor moral, conquanto nos exercita na prática da humildade e da submissão; 3ª, a solidariedade espontânea e sincera entre familiares e amigos constitui um bálsamo suavizante para as nossas dores morais.

 Luiz Gonzaga Seraphim Ferreira - Araraquara, 15/05/09

 



Escrito por luzagas às 16h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




ALFABETIZAÇÃO IMPROVISADA – 04

O início da alfabetização e os primeiros anos escolares constituem, para os educandos, uma deslumbrante e encantadora fase da vida, em que as descobertas despertam sonhos e esperanças.

 A minha foi um tanto conturbada pela quebra de continuidade, com as constantes mudanças de escolas e de professores. Contudo não deixou de ser uma fase bem feliz, da qual guardo recordações muito gratas.

 Iniciei a alfabetização aos seis anos com a minha paciente e doce mãezinha Isabel e, aos sete, na “Escola Mista da Estação de Caiuby”, com a inesquecível professora Da. Madalena.

 Assim, sucessivamente, passei pelo 2º ano do ensino primário, com a Profa. Da. Alcídia, no “Grupo Escolar” de São Bento, onde também morei; o 3º ano em Remanso, na escolinha da Profa. Da. Yolanda, e o 4º ano em Cordeirópolis, no “Grupo Escolar Cel. José Levy”, com a Profa. Da. Aita.

 Estávamos no ano de 1944 quando realizei a minha primeira experiência pedagógica improvisando um trabalho voluntário de alfabetização.

 Com a idade de treze para quatorze anos eu estava frequentando a 2ª série ginasial do “Ginásio Estadual de Araras” para onde viajava diariamente de trem.

O “Bastiãozinho”, como o chamávamos, era um garoto da minha idade que morava no Sítio Viganó, e nunca frequentara uma escola; era analfabeto e, por viver isolado de outras crianças, mal sabia conversar sendo muito tímido e desconfiado.

Todas as tardes ele aparecia lá na ponta da plataforma, descalço, vestindo uma camisa surrada, calça até o meio da canela e um chapeuzinho de palha como era a moda nos meios rurais.

 Muito acanhado e medroso ele não se aproximava do escritório da estação e esperava que lhe levassem o jornal que vinha pelo trem em nome de seu patrão.

Com jeito e perseverança procuramos dele nos aproximar e nos tornamos bons amigos.Percebi que desconhecia muitas coisas das nossas serventias comuns como: sabonete e creme dental ...

Logo que comecei ler para ele alguns trechos do jornal demonstrou interesse por aprender a leitura e já identificara algumas letras e palavras. A motivação fora essencial para a aprendizagem.

Da. Iolanda cedeu-nos a sala de aula; o Sr. Viganó concordou em que ele permanecesse mais tempo fora do Sítio.

Tomo a “Cartilha da Infância” de Thomaz Galhardo, 138ª edição de 1938, a mesma pela qual fui alfabetizado e conservo até hoje e, com todo meu despreparo, mas com muita vontade, usando a pura e insólita silabação, fui insistindo com perseverança na busca do nosso objetivo.

Os primeiros resultados começaram a surgir e nos entusiasmamos. No final do ano o discípulo esforçado conseguira ler e compreender palavras, frases e textos.

 Dava gosto ver o “Bastiãozinho”, já desembaraçado e mostrando-se bem contente, ler para as crianças e adultos até trechos do jornal.

 A felicidade consiste em fazer os outros felizes! Não é tão difícil improvisar um trabalho de alfabetização.

 Luiz Gonzaga S. Ferreira - Araraquara, 18/04/09



Escrito por luzagas às 20h23
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Categorias
  Todas as Categorias
  Quem eu sou
  Recepção
  A ESCOLA DA VIDA
  CONHECIMENTO ESPÍRITA
  PÁGINAS SUGESTIVAS
Outros sites
  Visual Dicas
  Visual Mídia Ribeirão
  UOL - O melhor conteúdo
Votação
  Dê uma nota para meu blog